Computação em nuvem: capacidade sem limites

Foi-se o tempo em que “estar nas nuvens” era sinônimo de estar desatento, fora da realidade. A tecnologia deu à expressão novo significado com o advento do cloud computing ou, simplesmente, computação em nuvem.

O conceito é o da disponibilização de recursos de computação sob demanda, em forma de serviços, a partir de centros de processamentos de dados — os chamados Data Centers — distribuídos pelo mundo e conectados em rede web.

Na nuvem as aplicações, servidores, espaço em disco e diversos outros serviços computacionais ficam disponíveis na internet. Diferente do modelo tradicional, não é necessário o pagamento antecipado, adivinhações no planejamento de capacidade ou aguardar pela entrega e montagem de equipamentos. Você contrata o que vai usar pelo tempo e capacidade imediata que precisar.

Sobre nossas cabeças

Uma vez em nuvem, tudo o que antes era guardado e processado em equipamentos locais passa a ser armazenado, projetado, executado e pode ser acessado a qualquer momento e de qualquer lugar do mundo a partir de um dispositivo com acesso à internet, inclusive aparelhos móveis. Da mesma forma, a conexão em rede entre os Data Centers  possibilita que as aplicações estejam alocadas em qualquer lugar do globo — por isso a denominação “computação em nuvem”.

Elasticidade da estrutura

Tudo pode ser alocado dessa capacidade computacional virtualmente ilimitada: recursos de armazenamento, banco de dados, sistemas, sites, servidores de aplicações, entre diversos tipos de serviços, que ganham a mobilidade de dimensionamento de capacidade e tempo de uso conforme a necessidade do usuário. Isso significa que ele pode expandir ou reduzir o quanto quiser sua estrutura de TI na nuvem em minutos e com apenas alguns cliques, pagando ao provedor do serviço exatamente pelo que foi utilizado, no modelo conhecido como pay-per-use.  

15,3 Zettabytes ou 15,3 sextilhões (10²¹de bytes trafegados em 2020. Seremos 5.3 bilhões de usuários com acesso à internet no mundo.

Contas de e-mail oferecidas gratuitamente e perfis de redes sociais estão na nuvem. E foi para suportar suas estruturas de sites e serviços que gigantes de TI como Amazon, Google, IBM e Microsoft investiram para fazer do cloud computing o que é atualmente e como se estima que será nos próximos anos.

A edição atual do Índice de Cloud Global da Cisco (2015-2020) prevê que a expectativa de 15,3 Zettabytes (ZB) trafegando nos data centers em 2020. Deste tráfego, somente 14% tem como origem/destino os usuários. O restante diz respeito a tráfego interno ou entre data centers.

Falando em internet, o Relatório Anual de Internet da Cisco (2018-2023) prevê 2020 com 4.5 bilhões de usuários de internet, saltando para 5,3 bilhões em 2023. Esses números vêm confirmar a importância dos data centers para todo o ecossistema da internet, que possam viabilizar toda esta conectividade instalada com tamanho volume de informações que cresce vertiginosamente.

Um pouco de história

A menção precursora do conceito de computação em nuvem é atribuída a John McCarthy — criador do termo inteligência artificial. Em 1961, ele falou sobre a ideia de computação por tempo compartilhado, que permitiria que um computador fosse utilizado simultaneamente por dois ou mais usuários  com objetivo de aproveitar o tempo entre cada processo. Naquela época, ele já vislumbrava que a computação como um serviço público poderia ser a base de uma nova e importante indústria.

Outro importante nome é o de Joseph Carl Robnett Licklide, um dos desenvolvedores do ARPANET, o antecessor da internet. Também no início da década de 60, ele já imaginava uma “rede de computadores intergaláctica” na qual todos estariam conectados acessando programas e dados de qualquer lugar.

O termo cloud computing só veio a ser mencionado pela primeira vez em 1997, pelo professor de sistemas da informação Ramnath Chellappa, mas somente mais de uma década depois, em 2008, é que realmente a utilização da nuvem começou a ser oferecida comercialmente.

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